Essa poderia ser a pior forma de começar um textinho de felicitação, hoje, 10 de fevereiro, do aniversário do PT.
Vou demonstrar que essa pode ser a melhor forma de começar esse texto.
Eu garanto.
Basta seguir lendo.
Comece por ler essas frases, seguidas.
"Em algum momento, erramos. Em alguma coisa nós erramos. E tem que dizer onde erramos pra corrigir. Não podemos continuar perseguindo o erro. Tem que corrigir.”
Foram ditas, poucos dias atrás, pelo Presidente da República, referindo-se ao partido que ele fundou, o PT. Esse que eu me filiei, mais de três décadas atrás.
Em Olinda, na minha linda juventude, quando a gente só tinha pouco dinheiro pra cerveja, pedíamos um petisco (Tiragosto, como lá o chamamos) de peixinhos fritos chamados pióssemela (Pior sem ela).
Iniciamos o ano, aqui em Barcelona, com campanha de filiação para simpatizantes que queiram reeleger Lula e evitar o retorno do nazifascismo ao governo brasileiro.
A pior estratégia, para mim, nesse sentido, seria atribuir ao PT aquela tática do pióssemela.
Iniciamos o ano, aqui em Barcelona, com campanha de filiação para simpatizantes que queiram reeleger Lula e evitar o retorno do nazifascismo ao governo brasileiro.
A pior estratégia, para mim, nesse sentido, seria atribuir ao PT aquela tática do pióssemela.
É preciso querer mais.
Seguir a sugestão do Presi.
Chamei amigues para o PT.
Escutei 3 tipos de resposta.
Eis aqui.
Primeiro, escutei várias vezes a frase inicial desse texto: “tem coisas que eu não gosto no PT.”
Ao que eu respondo com um rotundo “Eu Também (Muitas)”, gerando um espanto na minha interlocutora, seguida de acompanhamento. É o mínimo que eu preciso para seguir a conversa.
Me espanta saber que ainda tem gente que vê esse partido como uma coisa homogênea, tipo seita, onde é obrigatório gostar de tudo que o líder diz e faz.
É a resposta mais fácil que eu usei pra “rebater”: “se fosse como você pensa que é, e se você bem me conhece, por sermos amigues, você crê mesmo que eu estaria nessa, durante tanto tempo?”.
Pra dialogar com as companheiras que evitam “ser partido” durante os quatro anos de mandato, comprometendo-se – bem-vindas sejam – a fazer campanha pra evitar a derrota eleitoral de Lula pro neo-bolsonazismo.
Geralmente, continuo com este complemento: e faz 30 anos que tem coisas que eu não gosto nas grandes amizades, mas foi por isso que chegamos até aqui, boas e melhores amigas. Falando. Sendo assertivas. Buscando sempre melhorar a nossa comunicação.
Logo, em segundo lugar, escutei com frequência 3 palavrinhas também associadas ao PT: Sistema, Privilégio e (cuidado que essa última é mais forte) Hipocrisia.
Essa última, mais forte, a terceira, ajuda a “começar a resolver” as 2 primeiras.
Hipocrisia é mentir pra si mesmo. E pra sair dela, só se desconstrói o que se admite.
Em outras palavras, é o que Lula acabou de dizer. Se quiser, volte alguns parágrafos e leia novamente, atentamente, o que ele, o Presi, falou.
Pronto.
A terceira e última coisa que escuto ao chamar minhas amigues pro PT: elas me falam do passado, presente e futuro do Brasil. E do seu medo de que tudo continue como está.
As felicito por serem como eu, pessoas insatisfeitas. Gosto muito de escutá-las.
“O passado não nos leva somente para trás. Impulsa-nos, pra frente. E, ao contrário do que se poderia esperar, é o futuro que nos conduz ao passado” (Hannah Arendt).
Sobre o passado, ensino uma coleção de frases de Lula que eu tirei de todas as campanhas e todos os programas de governo. Sim, eu armazeno na Internet os programas de governo e os comparo.
Boa notícia. Lula continua o mesmo Lula de sempre. Inclusive repetindo aquelas mesmas frases sobre os nossos próprios erros, faz tempo.
Péssima notícia. Que trinta anos depois sigamos fazendo as mesmas perguntas. Melhor seria que pelo menos mudássemos as perguntas, já que as respostas…
Sobre o Presente, eu rimo rima fácil, sem sair pela tangente: só depende da gente.
Sobre o Futuro, eu falo muito mal do Medo (de que tudo continue como está).
E acabo com o slogan de campanha de quando eu me filiei ao PT: sem medo de ser feliz.
Ah!. Vou sair do armário e contar algo importante, já que estamos.
Eu NUNCA fui Lulista. E o melhor paradoxo sobre isso é que eu acho que Lula gosta disso.
Eu gosto é do PT.
Porque eu amo o meu Brasil.
E aqui finalizo o meu texto de parabéns pro PT, transformando aquilo que jamais foi um “falar mal” (jamais, posto que sempre com muito respeito) e sim apostar na coerência freireana da crítica sempre construtiva.
Amigo é o que também diz aquilo que a gente não está acostumado a ouvir.
Aquele abraço.
Vens comigo?
@1flaviocarvalho, sociólogo. Barcelona, 26 de janeiro de 2026.
Artigo originalmente publicado em https://desacato.info/tem-coisas-que-eu-nao-gosto-no-pt-por-flavio-carvalho/

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